domingo, 10 de junho de 2012

O "barato" da raquidiana!

Amigas (os) leitores camaradas, se tem um troço que dá barato é essa tal de anestesia raquidiana, É O BICHO!

Pois é, tive que experimentar essa tal de raquidiana, porque a Le tava numa posição desfavorável, o que a ignorância lúcida dos antigos chamaria de "bebê sentado". Pois bem, fui eu toda prosa para a sala de parto, já tinha lido tudo que podem imaginar sobre o assunto, além de perguntado para minhas irmãs, amigos, obstetras, as duas que eu frequentei durante a gestação (isso é papo para outro post), assistido vídeos na internet e etc. Minha referência com relação a este procedimento não era das mais tranquilizadoras tão pouco incentivadoras, pois minhas duas irmãs mais velhas, tenho 03, somos em 04 e sou a caçulinha, a raspinha do tacho (risos). Elas já tinham seus 03 filhos cada uma, sendo que uma delas só havia vivenciado a experiência da cesariana, já a outra tinha vivenciado as duas experiências, do parto normal e da cesariana. 

Bom, minhas irmãs são tranquilas e não fazem alarde de nada, tão pouco se intrometem em minhas decisões, apenas cuidam bem de pertinho de tudo que diz respeito a minha pessoa (+ risos), para garantir que nada de mal, estranho, suspeito ou que possa me causar qualquer dano corra o risco de acontecer sem que elas impeçam antes. São minhas amazonas! Verdadeiras Charlie's Angels ou Gera's Angels trazendo para nosso contexto familiar...bobagem!

Minha irmã Ge, teve os 03 filhos por cesariana e a imagem de seu primeiro parto ficou meio que gravada em minha memória, mesmo eu sendo criança na época. A imagem que me vinha em mente era ela deitada numa cama reta, com a cabeça dura,  não se mexia normalmente, ela só mexia os olhos, olhava para a direita e esquerda, mas sem mexer a cabeça. E outra imagem forte que eu tinha em mente, era ela andando curvada como se sentisse dor a cada movimento que fazia. Chocante! Ela era a irmã que dançava comigo, brincava, me pegava no colo e de repente parecia que havia adoecido. Na ocasião eu tinha sete anos.

Em contrapartida seu bebê nasceu lindo, grande, saudável, robusto, um bebê Johnson! Meu primeiro presente! Fiquei tão feliz com o fato de seu nascimento, pois eu era sozinha, não tinha outra criança e esse bebê menina, veio ocupar o lugar de minha companhia! Claro que rolou ciúmes e aprontei várias com ela depois. Hoje ela é a dinda da Letícia e uma amiga pra toda hora (ruim ou boa).

Minha irmã Gera, teve o primeiro filho de parto normal e foi surpreendente, porque nunca imaginei essa minha irmã parindo de parto normal. Ela tem muitos medos, é intensa e meticulosa! Bom ela teve uma gestação ótima, assim como o seu parto também o foi. Ela deu a luz ao Ale, um menino franzino que era a coisa mais linda pra todas nós, nessa época eu já tinha 10 anos. Assim que ela saiu do hospital foi trabalhar. Só não foi mais maravilho, porque o Ale teve que ficar no hospital por conta de uma icterícia. Só veio pra casa dois dias depois. Hoje ele é um rapaz boa pinta, ainda franzino (risos) e dono de um coração que não cabe dentro dele, vivemos entre tapas e beijos, mas o amo imensamente!

Com toda essa bagagem de experiências alheias, fui para minha visita semanal a obstetra como é de praxe no fim da gestação, e como eu já sentia uma espécie de cólica no pé da barriga, que já eram contrações ela me examinou, fez a última ultrassonografia, ouviu os batimentos do bebê que parecia a Furiosa (bateria do Salgueiro), constatou que a bebê já tinha 3,5kg e que estava na posição de assinclitismo (incompatível com o parto natural devido à má posição cefálica na pelve). A médica se virou pra mim ao final da consulta e disse: "ela está pronta e você não aguenta mais, vamos marcar a cirurgia? O bebê está grande, sua bacia é estreita, o parto normal não será fácil, além de sua dificuldade respiratória e o fato do bebê estar em posição desfavorável o que levaria mais tempo, não aconselho esperarmos mais".

Eu estava com uma crise de renite alérgica das bravas somada a uma gripe que se instalou em meu ser devido a baixa resistência pela gestação, então somos mais suscetíveis aos vírus. Eu já estava fazendo inalação a alguns dias e não conseguia mais dormir, dormia sentada ou no chão da sala, onde meu marido afastava os móveis e forrava o chão com edredons, pois o inverno foi rigoroso em 2004. Como eu não tinha posição e estava com dificuldade para respirar eu me sentia melhor ali e ele fazia de tudo para que eu e Le ficássemos bem.

Pensei rápido, um bolo se formou na boca do meu estomago então olhei para meu marido que filmava tudo sem parar e ambos fizemos um sinal de afirmação com a cabeça. A médica ligou para o hospital tinha sala de parto disponível e marcou para o mesmo dia, 05 de agosto às 19h. Avisei minhas irmãs que se incumbiram de avisar os demais e fomos pra casa. Finalizados os preparativos, mala do bebê, da mãe, cabelo, unha etc (riso). Separei todas as roupinhas da Le, que já estavam devidamente esterilizadas e ensacadas em saquinhos brancos e cor de rosa, transparentes para que pudessem identificar a roupa. Orientei qual roupa eu queria que colocassem nela ao nascer, assim como manta e etc. Na hora foi tudo diferente! :-D

Chegamos na maternidade umas 17h, fiz alguns exames, e comecei a fazer inalação, pois minha falta de ar estava considerável, além das dores na lombar e baixo ventre, por fim foi chegando um, depois outro, familiares, amigos queridos e a Lele só foi nascer às 22h05 daquela quinta - feira de inverno em Sampa.

Na hora de ir para a sala de parto eu já sabia que tomaria anestesia raquidiana e que essa é aplicada na altura do cóquis, mas me senti segura por saber que meu marido assistiria ao parto e que estaria comigo o tempo todo. Contudo, na hora que entrei na centro cirúrgico levaram o Tadeu para outro canto e entrei sozinha, ele tinha que colocar a roupa adequada do hospital pra evitar contaminação. Lá fomos nós, eu e Lele, daí me bateu um medo, lembro que senti minhas pernas bambas,  mas a aplicação foi rápida e a dor é suportável, não me lembro de dor surreal e sim de um árdor ao sentir o liquido entrar. O que dói mesmo é aquele cateter que colocam na mão da gente pra passar soro com remédio, caramba aquilo dói muito!.

Correu tudo bem durante o parto e ao término a parturiente deve ir para a sala de recuperação. Um lugar nada agradável, pois não tem nem uma musiquinha ambiente pra relaxar e o que queremos e ver nosso bebê e nossa família, mas tem que ficar lá até a anestesia passar e a equipe médica ter certeza que tá tudo bem com a mamãe! Devo ter ficado por lá umas duas horas, entre um cochilo e outro interrompido pelo frio que me assolava a ponto de eu bater os dentes, o que é efeito colateral da anestesia, além da coceira que eu sentia no rosto e  em tudo quanto é lugar que me dava vontade de desfolhar a pele. Vez ou outra alguém vinha me ver e colocava mais um cobertor térmico devido minha bateção de dentes. Passado o tempo todos os sinais vitais checados (risos) subi para o quarto.

Neste momento, o barato da raquidiana tava no seu ápice, lembro de tudo em flashes, não me lembro das pessoas que estavam lá, da sensação que tive ao me encontrar com a família e amigos, o que tenho são reconstituições feitas através de imagens que assisti depois. Eu tava curtindo a maior viagem! Tava no barato da raquidiana! tudo parecia um sonho dentro de uma nuvem bem nebulosa! Mas, de uma pergunta que me fizeram eu me lembro bem, engraçado que não me lembro da imagem de quem me perguntou, mas me lembro do som de sua voz, inclusive da entonação usada no momento da pergunta, uma querida amiga virou-se pra mim e disse: "Quanto foi o Apgar do bebê?" e eu com a voz fraca e com a mente lenta respondi: "Oi? Como? Que raios é esse tal de Apgar?" (este é assunto para outro post)...



Alguns links interessantes sobre o assunto:

http://guiadobebe.uol.com.br/chegou-a-hora-de-nascer/

http://brasil.babycenter.com/pregnancy/parto/tipos-de-anestesia/


3 comentários:

  1. A dor da agulha da anestesia se assemelha ao que ? A tirar sangue, a fazer uma tatuagem, a anestesia de dentista? Pois tenho muito medo dessa anestesia e desse cateter do soro...bjs

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Como eu escrevi no post a dor é suportável, não há de se falar em dor surreal. Eu senti um árdor no momento que injetaram o liquido, mas o que dói mesmo é aquele catéter que colocam na mão da gente pra passar soro com remédio, caramba aquilo dói muito, mas não tem jeito já se passou 09 anos e não há técnica nova para este procedimento! Se você já vivenciou tirar sangue, fez tatuagem e vai ao dentista periodicamente, vai superar fácil, pois a compensação de ter seu bebê nos braços é indescritível! bjs

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