O fato é que ela quis passar o
feriado com os avós paternos na casa da tia avó, Anna, a alguns quilômetros de
Sampa. Ela adora a tia Anna e seus
cachorros: Rubi (xodó), Perola e Cristal. Enquanto isso nós fomos convidados
para comer um queijo e vinho com a dinda e o tio Guto e decidimos ir, pois é
certeza de boa companhia. Como eles estavam há alguns quilômetros de Sampa, num
chalezinho maneiro com amigos igualmente maneiros e no caso de ser uma noite
destinada a degustação de queijos e vinho, decidimos que voltaríamos no dia
seguinte. Pois, se beber não dirija! Keep walking!
Bordões marqueteiros a parte,
fomos felizes e tranquilos. No dia seguinte, meu marido como um bom amante dos
esportes foi jogar tênis, bola, correr, suar, sei lá! Como podem perceber os
opostos se atraem, pois euzinha permaneci no quentinho das cobertas.
Ao me levantar e dar bom dia para
um tímido sol que aparecia, liguei pra Le que me atendeu prontamente e pediu
para eu ir buscá-la, pois já havia voltado para Sampa. Eu disse que tudo bem,
assim que o pai voltasse de suas atividades iríamos buscá-la. Eu só não contei
que isso levaria certo tempo, no meio da tarde seu pai surgiu todo suado e
feliz, por ter liberado serotonina e endorfina
e eu compartilhei com ele minha conversa com a Le, só que com alguns
aditivos que rolaram depois, pois com a demora a pequena foi se enfurecendo e
entediando e acabou me deixando um recado pra lá de ríspido ao celular, que tem
sinal ruim no local onde estávamos o que fez com que não tocasse e a chamada
foi direto para a caixa postal, a enfurecendo ainda mais.
Ela proferiu a seguinte pérola: “Mãe, aqui é sua filha Letícia, aquela a
quem você se esqueceu! To ligando pra dizer que não precisa vir me buscar, pois
vocês não estão nem ai pra mim! Esqueceram que tem filha, não me atendem, não
me ligam pra saber se estou bem ou não! Vocês tem vida sabia? E tem uma filha, que
sou eu, FI L I A! (sic) Meu avô e minha avó são melhores pais que vocês, eles
se preocupam, me ligam pra saber o que eu quero de aniversário! Não venha me
buscar, porque eu não irei com vocês!”.
Eu comecei a rir tanto ao ouvir
sua mensagem, porque achei muito engraçado! Principalmente pelo F I L I A! Veja se tem cabimento? Uma fedelhinha deixar
tal recado no celular da mãe? Tudo porque sentiu que poderia estar perdendo
alguma coisa. Vez que seu passeio tinha terminado como poderíamos nós, seus pais,
estarmos passeando ou gozando de diversão sem ela! Como poderíamos ter vida sem
ela? Uma verdadeira Leonina, vamos combinar? Como o sol ousa brilhar sem a minha
ordem e ilustre presença?
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