Bullying uma palavra americanóide que arraigou-se em nosso cotidiano. Não que eu seja xiita ou xenófoba quanto aos EUA, não se trata disto, consumo vários de seus produtos (filmes, expressões lingüísticas, comida, etc.), mas agradeço aos meus pais por me proporcionarem uma educação que garantiu que eu me tornasse uma mulher adulta autônoma e bem informada, com plena capacidade para discernir entre os exageros dos norte americanos com o que há de bom em tudo que nos é empurrado guéla abaixo pelos ianques.
A palavra é derivada de bully, que quer dizer valentão e acrescida do sufixo ing torna-se o ato de provocar sofrimento psicológico e às vezes físicos a outrem pela prática de atitudes que humilham, denigrem, desdenham, constrangem, etc. com o propósito de intimidar ou agredir outra pessoa.
Esclarecido alguns pontos, passo a discorrer sobre o motivo que me faz escrever estas linhas. E quando sua filha (o) apresenta indícios de que esteja sofrendo bullying? Dor de barriga, de cabeça, falta de vontade em ir para a escola, isolamento, etc. Como reagir a tal sintomas? e se o bully fosse a (o) melhor amiga (o) de sua prole até bem pouco tempo? Como separar o joio do trigo? Como saber se trata-se de uma mera intriguinha de criança, por ciúmes, garantia de liderança ou algo corriqueiro típico da idade escolar que passa e não deixa seqüelas ou se é um desvio de comportamento doloso e hóstil que pode causar dor e danos futuros.
Well, my dears eu não sei! Converso muito com minha filha, procuro me inteirar de suas experiências escolares e sociais, ouço, replico e quando entendo que o sofrimento está tomando proporções preocupantes procuro a escola. O fato é que atualmente tudo é bullying, desde o nada sonoro gordo, baleia, saco de areia... até uma simples recusa de lanchar na companhia de um coleguinha pode ser interpretado como bullying. Daí minha gente, confesso que se torna um saco! O tal do exagero do politicamente correto. A arrogância da tolerância demasiada, na qual muitas vezes a liberdade do outro é violada em prol da máxima de que tolerar é preciso sempre!
Outro dia assisti ao programa "Entre Aspas" da Globo News, em que a jornalista e apresentadora Monica Waldvogel entrevista Guilherme Casarões, professor de relações internacionais da FGV e Faculdades Rio Branco e Luiz Felipe Pondé, professor de filosofia da PUC/SP, ambos os entrevistados são docentes de insituições conceituadas da metrópole paulista. O tema foi: Os desafios da ONU - Vivemos um período de ira e intolerância?.
Durante a entrevista surgiu a menção do paradoxo da tolerância, fazendo analogia ao filósofo Platão, quanto mais exacerbada a tolerância implica numa igual permissão para que a intolerância tome seu lugar minando por baixo.
O exagero do politicamente correto, do excesso das amarras criadas para conter a ira inerente ao ser humano, que na verdade tem sua relevância no aspecto em que provoca a vontade de mudança, daí a parte boa da ira que incita a crítica, o contraditório e também a ampla defesa que são princípios básicos da justiça!
Por fim a ira é característica da condição humana, pode ser tanto devastadora quanto solução no caso de situações que causam insatisfação e vassalagem. Não nos esqueçamos de que o pacifismo pós 1ª guerra mundial com relação a Adolf Hitler foi responsável por uma das maiores chacinas mundiais de nossa história, enquanto a ira dos franceses por conta dos abusos da burguesia aristocrata da idade média provocou a queda da bastilha, propiciando em 1789 a Revolução Francesa.
Liberté, Egalité, Fraternité!