sábado, 2 de junho de 2012

a letícia* dos meus dias..

Numa tarde ensolarada de verão recebi a notícia de que carregava comigo uma sementinha viva que se tornaria uma linda menina em poucos meses. No início a sutileza de sua presença em meu ventre se dava por delicados sinais emitidos por ela através de sensações em meu corpo. Quando não gostava do sabor de algum alimento que eu ingeria, ela respondia prontamente mandando-o de volta para o local de onde veio.
Seus sentidos se misturavam aos meus e a cada semana sua presença se tornava ainda mais latente em meu ventre. Na hora do banho passávamos alguns minutos conversando e trocando carícias, enquanto sentíamos a água morna escorrer por nós.
Ao chegarmos a 38ª semana de gestação estávamos prontas para nos tocar mutuamente, uma dor aguda, porém desejada me acometia a pelve e uma forte pressão como uma garrafa de espumante em noite de Reveillon aumentava compassadamente. Até que às 22h05 nasceu minha pequena Letícia, com cabelos negros e um choro forte anunciando ao mundo e a mim sua chegada.
Num minuto de exaustão e euforia a recebi em meus braços, seu choro compassado e agudo cessou imediatamente ao recostá-la em meu seio. Sua respiração ofegante ficou serena e nos fitamos por segundos como se nos reconhecêssemos pelo olhar.
Essa foi a sensação mais emocionante e intensa de toda a minha existência.

Giuliana Lima
mãe de Letícia

* do latim alegria.




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