Em meio a um feriado prolongado chuvoso, com baixas temperaturas e um céu cinzento, enquanto respondia a um comentário de uma amiga, a qual chamarei carinhosamente de Su, inclusive sobre uma postagem desse blog, percebi que coincidentemente ela está à espera de sua pequena Letícia (que será nossa assim que sair do conforto de sua barriga) e fui tomada pela percepção que além de sermos mães de Letícias, temos muito mais em comum no que diz respeito a magia de gestar!
Fiquei grávida no mesmo período só que em 2003, meu final de gestação foi no outono/inverno assim como está sendo o da Su e estava um frio significativo! Não tive inchaço durante a gravidez, mas na reta final na semana em que a Le nasceu mais precisamente, eu parecia um sapo boi na puberdade. Isso porque minha pele ficou ruim, cheia de espinhas como se eu tivesse voltado a adolescência aos 29 anos de idade! Péssimo! meu nariz que já não é uma delicadeza, digamos assim, virou uma batata! Na real, me transformei na Feiona, ops, ato falho, leia-se Fiona!
Bom com relação ao relato de eu ter ficado a irmã gêmea da Fiona não tem nada em comum com a Su, que está linda e diva aos oito meses de gestação!
Resolvi falar sobre isso, pois sei que neste período ficamos a mercê de tantas sensações distintas, oscilamos do bom ao mau humor num piscar de olhos, literalmente experimentamos a bipolaridade! com a ressalva de estarmos grávidas e este fato nos tornar seres sublimes e ungidos que são vistos com um ser quase canonizado!
Que nada! tem um montão de gente que não respeita grávida e não tá nem ai com nossa condição real e superior de garantir a perpetuação da espécie humana!! Lembro-me de ir aos correios já com um barrigão saltando aos olhos de todos e ter que escutar de um ser que ali estava que "tem gente que fica grávida só pra pegar a fila preferencial1" (sic). TENHA DÓ!! Será que existe algum ser consciente e bem informado neste planeta que é capaz de engravidar para poder usufruir de filas preferenciais!! Putz! e ainda tem gente capaz de engolir o merchan da presidenta sobre país emergente.. só se for na ignorância e no índice elevado de mau educados.
Por fim, quero dizer que grávida não é respeitada como consta no imaginário da maioria. No trabalho patrão pensa que tá fazendo corpo mole porque tem o respaldo da gravidez, no trânsito tem que ouvir vai pra casa trocar fralda e lavar mamadeira, no banco, no transporte público, na padaria, nos correios, etc. aguenta cara feia de estranhos por ter fila e assento preferencial! Olha, vou dizer uma coisa, se gravidez fosse fácil Deus dava útero para os homens! :-D B R I N C A D E I R I N H A!!! Perco o amigo,mas nunca a piada! Redimo-me em tempo.
Os homens tem um papel essencial, tanto na concepção de nossos pequenos adoráveis bebês, quanto durante a gestação e depois dela, pois os pais com exceção de alguns que gestam junto com as mulheres, internalizam a vivência do "ser pai" depois que o bebê nasce, pois a partir deste momento é possível concretizar o que até então era abstrato para eles, além do que passam a exercer de fato tal papel que é subjetivo durante a gestação. Parem para pensar, durante a gestação o processo da maternagem já começa a se instalar em nosso corpo fisicamente, tudo muda! Nossa relação com a comida, com a bebida, com o corpo, as sensações, sentimentos, reações tudo se altera.
Nosso seio cresce, escurece, nossa barriga nem se fala, um risco gigante e marrom (claro que de acordo com o tom de pele de cada uma) como se fosse o Meridiano de Greenwich surge bem no meio do barrigão, o umbigo salta, e fazemos xixi toda hora! sem beber uma gota, sequer uma gotinha de cerveja (aqueles que consomem moderadamente esta bebida entendem o que quero dizer).
Enfim meus amigos, gestar é uma tarefa árdua desde o seu início. Claro que com toda a magia e maravilhas que nos permite vivenciar, mas vamos combinar que nem tudo é um mar de rosas! Quero muito que a Su poste algo aqui no blog sobre o seu olhar para com o gestar, por ser sua fase atual creio que tenha muitas pérolas para compartilhar conosco.
Imagino que esteja na fase de decidir sobre o parto, se será normal ou cesariana, na água, de cócoras, etc. Tem tantos métodos agora que dá pra desencadear uma angústia. Noto que, o que pesa muito ainda é o medo. Medo da dor, do sangue, do tempo que pode levar, etc. O meu medo era da criança entrar em sofrimento, de dar algo errado, do bebê não aguentar, do cordão umbilical estar enrolado no pescocinho do bebê e o sufocar! Tantos são os nossos medos! Mas um bom médico e as informações dadas com segurança é essencial para nos tranquilizar e ajudar na hora da escolha, tem obstetra que é da corrente a favor do parto normal, outros já são mais comerciais e preferem agendar a cesariana, isso porque é muito mais cômodo e lucrativo para eles, pois além de ser mais caro, requer anestesista obrigatoriamente e os possibilita uma organização de agenda, o que é fora de questão no caso de parto normal.
No que diz respeito a OMS - Organização Mundial de Saúde o parto normal é o mais aconselhável, na verdade o parto normal deveria ser o único meio, a opção da cirurgia que chamamos de cesariana só em casos extremos em que a mãe ou o bebê corressem algum risco.
Su e queridas amigas grávidas e pretendentes, pense bem na sua escolha! Um procedimento cirúrgico é sério, doloroso e bem mais complicado do que a mídia e a indústria da concepção faz parecer! Suportamos as dores da TPM, cólicas menstruais, depilação com cera quente, fria, laser e tudo mais que vier pela frente, dor faz parte da nossa condição feminina e damos conta do recado! Não se prendam a esse aspecto. De boa amamentar dói e amamentar com um corte no pé da barriga com no mínimo sete pontos não é nada agradável!
Minha sugestão, porque conselho ninguém segue mesmo, é que deixem nas mãos de Deus (seja lá qual for o Deus de cada uma) e da (o) obstetra que escolheram que deve ser da confiança de vocês. Se possível com boas recomendações! Ou não! Ah, se o celular do (a) obstetra tocar na hora do parto ou durante ele, ou no meu caso em específico na hora em que se cortava o cordão umbilical do meu bebê, não se espantem, pois pra nós é um momento mágico e pra eles é cotidiano! Tenho este fato gravado no DVD de nascimento da Letícia pra sempre!
Dicas:
O livro Mãe na linha da Andréa Veiga e Claudia Rodrigues - bem legal e de linguagem fácil, é um bate papo entre mães, vale à pena e tem histórias legais sobre a escolha do parto e o que acontece na hora.
Link sobre parto normal ou cesariana: http://www.alobebe.com.br/site/revista/reportagem.asp?texto=1
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